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Hoje trago o poema “Não há vagas“, criado por Ferreira Gullar, e as palavras em minisculo são todas do poema, espero que não pensem que foram erros meus.

O Preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabe no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
— porque o poema, senhores
está fechado:
“não há vagas”
Só cabem no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira
Toda poesia, Rio de Janeiro, José Olympio, 1980.